> REPRESENTANTE GANHA ATÉ R$ 60 MIL / MÊS (Parte 1)

Para conseguir uma representação, é preciso ter influência

 

          Ele pode ser um profissional autônomo ou abrir uma empresa para prestar serviços. Ele pode trabalhar muito e ganhar pouco ou trabalhar pouco e faturar altíssimo. Por um lado, ele não tem direitos trabalhistas, mas, por outro, a lei que rege o seu mercado lhe dá uma série de seguranças. Estamos falando do representante comercial, que, se conseguir uma boa representada, chega a faturar, em comissões, R$ 60 mil numa rodada de negociação.
          Quem evidencia essa possibilidade é o diretor técnico da empresa de materiais de construção paulista Matec, Augusto Arrepia. “Estamos orçando uma obra no valor de R$ 1,2 milhão.
Se ela for nossa, imagine quanto esse representante vai faturar?”, indaga ele, que está procurando representantes em toda a Bahia, principalmente em Camaçari.
          A comissão que a Matec oferece aos seus representantes é de 5% em cima das vendas. Faça os cálculos. Se o profissional que está negociando esta obra citada por Augusto fechar o contrato, ele fatura, numa sentada, exatamente R$ 60 mil.
Mas o diretor técnico daMatec faz uma ressalva: “O faturamento na área de representação é muito relativo e sazonal.
Existem meses em que se fatura pouquíssimo, e outros em que o representante ganha uma comissão bem alta”, destaca.
          REQUISITOS – De modo geral, para se conseguir a representação de uma marca, é preciso ter o registro profissional no conselho da categoria, uma boa carteira de clientes e, principalmente, ter penetração no mercado onde se pretende atuar.
“Não adianta ter um monte de clientes se você não tem trânsito dentro da área. Por isso, verificamos se o candidato tem proximidade junto às indústrias, construtoras e lojas revendedoras”, detalha Augusto.
          Quem deseja ingressar na área e ainda não tem contatos suficientes para oferecer, a dica é começar como sub-representante.
Este é o nome dado para os vendedores que trabalham em empresas que prestam representação, auxiliando o proprietário na venda dos produtos.
Dessa forma, é possível conhecer melhor o mercado e pegar os macetes.
          “Primeiro você tem que começar como colaborador, dividindo comissão com o representante.
Ou, então, você contrata vendedores que já tenham carteira de clientes e administra esse trabalho”, explica André Luis Cavalcante Barros, 32 anos, que representa três marcas de calçados e artigos esportivos.
Ele entrou no mundo da representação há 12 anos, quando seu pai pegou a conta da marca Grendene e ele era um dos seus seis vendedores.
          Segundo André, a área de representação é igual às áreas de Medicina e Direito, no que diz respeito ao tempo para se estabelecer no mercado. “O médico e o advogado ganham prestígio depois de muitos anos trabalhando.Nos primeiros dois anos, o representante praticamente não consegue ganhar dinheiro, no máximo empata as despesas com as receitas, e vai se virando para sobreviver”, afirma ele.
          SEGMENTOS – Existem alguns setores que, geralmente, propiciam uma melhor remuneração aos representantes. “São os casos da área de alimentação, construção civil – que está em alta por causa do boom imobiliário – e a área de equipamentos, que, embora a quantidade de pedidos não seja elevada, o valor de uma máquina de grande porte é bem alto”, detalha José Arcanjo, coordenador de fiscalização do Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Estado da Bahia (Core-BA).
          Para ir em busca de empresas que estão à procura de representantes, existem algumas opções. Uma delas é o site do conselho federal da categoria, que oferece uma lista atualizada de oportunidades (veja exemplos na página 3).
          Outra dica é participar de feiras relacionadas à área e conferir os classificados de jornais. “Nas feiras é onde você sabe das tendências, faz contatos e descobre novas fábricas”, aconselha o representante André Barros.

continua... (clique aqui para ler a parte II desta matéria)


Matéria publicada no Jornal A TARDE - Salvador, Domingo 15/06/2008 - capa - Caderno Emprego & Negócios
Jornalista: Carine Aprile Iervese (
caprile@grupoatarde.com.br)